sábado, 23 de fevereiro de 2008



Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando

Calculo o que perdi na primavera.




Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...

Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!





Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,

Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,



Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse! (Olavo Bilac)

Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando

Calculo o que perdi na primavera.




Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...

Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!





Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,

Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,



Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando

Calculo o que perdi na primavera.




Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...

Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!





Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,

Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,



Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!


(Olavo Bilac)

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