
Ah, esse suplício de ser o que sou!
Interior, viva, sóbria.
Transparente,morta e ébria...
E que fundamento me aplica?
De qual personalidade me visto?
Vou sendo transformada
Vergada pelo peso do mundo
Nem sei quem é o narrador
Da minha estranha estória
Ou o guardião secreto
Da minha memória.
Como explicar meu gesto
Nas oscilações do meu proceder?
Ser parte consciente
Do inconsciente do sonho
Tão viva,e tão tragicamente
Exposta as garras da morte!
Ser responsável por tanto
E tão entregue a própria sorte!
Vulnerável ao apelo mudo de um pranto
E a força oculta de qualquer encanto
Ser pouco e no pouco ser tanto!
E ser tão humana,frágil,carnal
E ser forte ,violenta ,brusca e fatal.
Isso de ser como eu sou as vezes me assusta!
Ser perfeita e tão sujeita a imperfeição
Tão só entre a multidão
Tão certa,sem razão...
(Claudia Moretti)
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