domingo, 6 de abril de 2008


À beira d'água

Estive sempre sentada nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.

O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração magoado.

(Porque o amor, perdoa dizê-lo, dói tanto!
Todo o amor. Até o nosso, tão feito de privação)

Estou onde sempre estive:
à beira de ser água.

Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
(- Eugênio de Andrade -)

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