quarta-feira, 12 de março de 2008



Pela saudade do poeta

Anoitecendo
entre palavras e versos,
incontidos pela saudade
de um poeta: Vinícius,
de onde estiveres
nos abençoa, por favor!
Abençoa este guerreiro ferido
por tantos dias conquistados!
Abençoa este velho amigo
que te quer bem desde a infância
apaixonada pela vizinha do lado!
Protege este outro poeta-perdido,
mendigo de um amor-total:
tal e qual o poeta-maior cantou.
Preserva quantas noites,
iguais a esta, possas preservar!
Mantém a lua cheia
permanentemente lá no alto,
pois existem muitos caminhos
de amor a serem iluminados
e tantos amantes na escuridão!
Dá a força para vencer
as muitas armadilhas que
são postas, sorrateiramente,
nos caminhos que nos levam
ao amor-maior!
Faze com que este copo
jamais se quebre enquanto
guarde a imagem de uma mulher!


Poeta, de onde estiveres
zela pelos corpos que se amam,
noite após noite com emoção -
pelas ternuras mantidas intatas
apesar do desamor global!
Dá-me tua mão quando eu,
entre tantas desesperanças
e frases incompletas e incompreendidas,
estiver prestes a sucumbir!
Ilumina permanentemente
os olhos da mulher amada,
principalmente se estiverem chorando!
Entrega um pouco da tua memória
àqueles que vivem na nostalgia
da noite, do porre, da identidade,
da tua poesia!
Viva sempre em cada anoitecer,
mesmo nesta selva de árvores
ou na selva de pedras - da qual fugimos-
cotidiana!
Tua benção, poeta!

Por Sergio trouillett Vinicius de Moraes

Arte de Sergio trouillet.

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